TEXTOS SOBRE AMOR

 

 

 

A DESPEDIDA DO AMOR
Martha Medeiros

 

   Existem duas dores de amor:

   A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

   A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

   A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também...

   Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida... Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, lógicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.

   É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a "dor-de-cotovelo" propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo, logo existo".

   Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente...

   E só então a gente poderá amar, de novo.

 

A ESCOLHA DO SEU PAR

Stephen Kanitz

"Nos bailes, as mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam"

Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.

Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher. Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres. Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar. Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência do seu par, a sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de stress. A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo exclusivamente à tarefa de avaliação do homem.

Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par. Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando inadvertidamente dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.

Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar numa única noite vinte rapazes entre os 500 presentes num grande baile. As mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam. Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.

Infelizmente, perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.

Criaram o disco dancing, em que homem e mulher dançam separados, o homem não mais conduz nem sequer toca no corpo da mulher. O som é tão elevado que nem dá para conversar, os usuais 130 decibéis nem permitem algum tipo de interação entre os sexos.

Por isso, os jovens criaram o costume de "ficar", o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.

Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, e no início é um desastre. Acabam fazendo sexo mecanicamente em vez de romanticamente como a extensão natural de um tango ou bolero. Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.

Masculinizamos as mulheres no disco dancing em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher. Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.

Hoje, uma garota ou um rapaz tem de escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes, e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.

Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida, na realidade elas continuam a ser o que eram antes de se casar. Você é que não percebeu, ou não soube avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.

Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia. Entre o olhar interessado e o "ficar" descompromissado, eliminamos infelizmente uma importante etapa social que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.

Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.

Se você for mãe de uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota.


Stephen Kanitz é administrador por Harvard (
www.kanitz.com.br) 

Extraído do site: http://veja.abril.com.br/271004/ponto_de_vista.html

 

A INTIMIDADE PRECISA SER BEM CUIDADA Lícia Egger Moellwald  consultora na área de Treinamento Corporativo e doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.
Os tempos mudaram, é verdade, mas a idéia de um casal (jovem ou velho), com compromisso sério ou nem tanto, ser displicente com aparência na intimidade é muito triste.
De modo geral, tanto homens como mulheres, no início de seus relaciona- mentos, costumam dar "aquela caprichada" no visual.
Eles não poupam esforços para ficar mais atraentes. Nessas horas vale tudo: roupas íntimas novinhas, depilação em dia, perfume, sabonete cheiroso. É o momento do investimento.
As mulheres não fogem a regra, até as que podemos definir como  "mais desencanadas" querem no fundo sentir-se atraentes.
Batom, rímel, lingerie ousada, sapatos de salto, perfumes, qualquer coisa é útil quando se está interessada em alguém.
O gostoso disso é que somos todos iguais. Afinal, a preocupação com a estética faz parte do jogo da sedução.
Com o tempo, à medida que aumenta a intimidade,  a relação vai perdendo a cerimônia e diminui a preocupação do casal com a estética.
O difícil é entender que se isso faz parte da vida para que tanta propaganda, métodos e produtos para melhorar a aparência? Será que é só para dar conta dos "sem-compromisso"?
Pouco provável. A intimidade que traz conforto para o espírito, sentimento de proteção e mais um monte de coisas boas para o relacionamento, pode também ser a grande vilã em muitos relacionamentos.
A maioria das mulheres quando deixa uma relação estável precisa refazer sua gaveta de roupas íntimas. Em geral, só tem peças gastas e sem charme.
Com os homens é a mesma coisa. Será que é preciso esperar uma separação para que eles começam a dar importância para aparência, comprar roupas  novas e entrar em dieta?
Apesar de estranho, a intimidade faz os casais perderem o pudor, até que passam a ficar em casa de qualquer jeito. Aceitar que isso acontece passa  a significar uma prova de amor, mas não é.
De alguma forma, os casais se esquecem do que faziam antes para agradar o companheiro. Esquecem dos banhos intermináveis, de escovar os dentes toda hora para ficar com o hálito fresquinho e de andar sempre cheiroso.
Quem acha que pensar nisso é bobagem pode acabar levando um grande  susto. Com medo de ofender, nem sempre o parceiro fala o que pensa. Aí um dia, sem mais nem menos, recebe um comunicado: "Fui".
Para quem acha que vale a pena mudar o final do filme é bom estar sempre pronto para uma alteração de roteiro. Para isso, seguem algumas dicas:
• Relação nenhuma sobrevive a bafo de onça, chulé, cecê e outras coisitas mais: A higiene pessoal tem que estar sempre em dia. Vale a pena gastar com sabonete, desodorante, pasta de dente e etc. Afinal, nesse roteiro, nada tem hora para acontecer.
• Roupas íntimas sempre em dia. Alças, calcinhas ou cuecas: largas, manchadas, encardidas, judiadas ou sem combinar devem ser jogadas no lixo. Só para lembrar, dizem as más línguas que os homens detestam lingerie bege.
• Se trocar de roupa para ficar em casa: Não vista a mais velha, furada ou super larga! Coloque uma confortável, mas que lhe caia bem. Imagine que um ex ou uma ex-namorada pode a qualquer momento tocar a campainha. A última coisa que qualquer um ia querer ouvir é: "Nossa, ainda bem que não deu certo"
• Preserve a sua intimidade: Usar o banheiro os dois ao mesmo tempo só se for para tomar banho junto ou passar creme no corpo, para as outras coisas o melhor é fechar a porta.
• Quem usa camiseta ou pijama para dormir cuidado, com o tempo o que era uma graça fica um terror: Mulheres com mais de 30 anos de pijama com motivo infantil ou homem com o pijamão xadrez não estão livres de receber um PT (Perda Total) do companheiro. Não precisa cair no sexy, as lojas estão cheias de pijamas confortáveis e modernos.
De resto, é sempre bom lembrar: Para que dure, uma relação precisa além do amor e respeito de uma boa pitada de sal. Use bem a intimidade e divirta-se! 

Amor

Shakespeare

 

Duvida da luz dos astros,

De que o sol tenha calor,

Duvida até da verdade,

Mas confia em meu amor!

 

(Hamlet - Shakespeare)

 


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